No total, a CBF pagou R$ 1,2 milhão no esquema
Como presidente da CBF, Ricardo Teixeira forçou a contratação de Jérôme Valcke pela agência de publicidade MPM na época em que a firma trabalhava para a entidade na organização da campanha do Brasil para sediar a Copa do Mundo de 2014. A MPM, entre 2007 e 2008, era presidida pela publicitária Bia Aydar, amiga de Teixeira, e tinha como sócio majoritário o grupo ABC, dos publicitários Nizan Guanaes e Guga Valente. No total, a CBF pagou R$ 1,2 milhão para que a MPM e Valcke produzissem um caderno de encargos, documento que reúne informações do país em campanha para receber o Mundial. O Brasil concorria sozinho e existia um acordo entre as federações de que o Mundial seria no País. Por meio da assessoria, Bia falou pela primeira vez sobre a contratação de Valcke ao ser questionada sobre a contratação pela reportagem. “Houve uma determinação, uma ordem do presidente da CBF para que Valcke fosse contratado. O dinheiro era do contratante, não cabia a ela questionar uma determinação” disse. No total, a MPM desembolsou 100 mil euros do contrato com a CBF para bancar a consultoria de Valcke na campanha pela Copa do Mundo. Procurada, a CBF disse que não comentaria assunto relacionado a gestão anterior. Documentos aos quais a reportagem teve acesso revelam oito anos depois que o “consultor” Valke recebeu da MPM tratamento de “chefe de Estado”. Na primeira semana de fevereiro de 2007, ele saiu de Paris para São Paulo em uma viagem que durou menos de 12 horas no Brasil. Valcke pousaria pela manhã e embarcaria de volta para a Europa no fim do dia. No curto período, teve direito a quarto no luxuoso hotel Emiliano – onde ficaria menos de duas horas – e pegaria quatro voos de helicóptero para atender a seus compromissos. Ele visitou e foi recepcionado na África por Guga Valente; conheceu a DM9 e, por fim, seguiu para a sede da MPM. Horas depois, desembarcou de volta a Paris. “A contratação de Jérôme Valcke foi realizada pela MPM e todo o processo de contratação foi conduzido pela agência. A MPM levou Jérôme Valcke para conhecer o grupo do qual a MPM fazia parte”, afirmou à reportagem a assessoria da Grupo ABC. No caderno aprovado por Valcke, a CBF apresentaria à Fifa 18 cidades candidatadas para receber a Copa. Apenas quatro estádios seriam construídos e o documento ainda apontava que o Morumbi seria o local do Mundial em São Paulo. Três anos depois e já na Fifa, o mesmo Valcke indicou que o Morumbi não teria condições de receber a Copa e o Itaquerão foi erguido. O documento final seria produzido pela MPM e assinado por seu então vice-presidente, Rui Rodrigues, que estampou a sua foto no caderno. O nome de Valcke não aparece no documento. Conforme o ABC, Rodrigues se desligou do grupo. Em 2008, a CBF anunciou que desistiu de contratar a MPM para atuar na Copa do Mundo.
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