segunda-feira, 29 de junho de 2015

Safra temporã põe mercado do cacau de cabeça para baixo

cacauuuuuOs armazéns estão parcelando as compras de amêndoas, o que faz com que os produtores sejam obrigados a estocar milhares de sacas em suas próprias fazendas.

A safra temporã de cacau baiano deu um drible nas previsões. Melhor, as previsões de alta até vão se confirmando, mas as chuvas de maio fizeram a produção transbordar em junho.

O cacau temporão, normalmente, chega aos poucos, entre maio e agosto. Essa concentração – somada ao esperado aumento da produção no período – está causando um fenômeno inédito na região: o cacau perdeu sua tradicional liquidez. Os armazéns estão parcelando as compras de amêndoas, o que faz com que os produtores sejam obrigados a estocar milhares de sacas em suas próprias fazendas.

Mas não é só isso. Outro problema que contribui para essa “inapetência” dos compradores é o grande estoque da indústria moageira, que continua importando cacau africano mesmo com o Brasil beirando a autossuficiência – a demanda é em torno de 250 mil toneladas de amêndoas, e a produção pode bater as 258 mil toneladas esse ano, segundo alguns analistas. Mesmo assim, as moageiras não deixaram de fazer ao menos uma importação de cacau da África desde o ano passado – há quem diga que outras três, menores e “por baixo do pano”, foram realizadas esse ano.

O produtor Águido Muniz observa que a indústria, com isso, ficou muito à vontade para baixar o preço do cacau por aqui, já que está com grande estoque e com a expectativa de nova chegada de cacau africano. “Apesar do melhor cenário nesse período de recomposição do preço internacional, especialmente na Bolsa de Nova Iorque, o produtor vive mais um drama, porque a indústria está manipulando o ritmo de compras, o que está inviabilizando o negócio dos pequenos armazéns e prejudicando seriamente os produtores

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