quinta-feira, 25 de junho de 2015

Como se dissociar de Dilma e do PT?, por Raul Monteiro

Ex-presidente Lula (PT)
É evidente que o ex-presidente Lula tenta se dissociar da sua própria cria Dilma Rousseff e até do seu partido, atolado até o pescoço em denúncias que começaram com o mensalão, chegaram ao ápice no petrolão, mas, tudo indica, estão longe de parar nos achados da Polícia Federal em volta da Petrobras, quando mira suas baterias contra a sua sucessora, a quem acusa de ter atingido o volume morto em termos de popularidade, e a legenda, sob o argumento de que a agremição precisa fazer uma revolução, dando espaço para a participação de uma nova geração de petistas.
Como potencial candidato à Presidência da República em 2018, Lula sabe que precisa de mais do que uma revolução para alcançar seu intento. Ele depende praticamente de uma hecatombe política para se viabilizar como alternativa na próxima sucessão presidencial, principalmente se a crise econômica se aprofundar e os tardios arranjos fiscais que a presidente tenta fazer para corrigir o equivocado rumo que imprimiu ao país no seu primeiro mandato não conseguirem mostrar resultados a ponto de permitirem que o Brasil supere tamanho descontrole e desesperança.
Frente às críticas do ex-mentor, a presidente, que chegou a ser vendida como exemplo de gerentona firme e desaforada, reagiu com surpreendente submissão, dizendo que o ex-presidente estava em seu direito de criticá-la e chamá-la de incompetente, o que sugere, para alguns analistas políticos, que os dois podem estar mais uma vez mancomunados em torno do objetivo comum de fazer Lula voltar ao Palácio do Planalto, única forma, aliás, de Dilma poder evitar que o seu sucessor, principalmente se for da oposição, amplie ainda mais a descontrução de sua imagem que o seu próprio governo já vem fazendo.
Impotente para influir hoje nos rumos da administração e na melhoria da economia do país, cujos pilares ele próprio começou a mudar ainda antes de conseguir eleger a sucessora, Lula sabe que a única forma de tentar se manter competitivo até 2018 é afastando-se do PT e de Dilma, por mais que seja muito difícil distanciar-se de duas entidades que ele próprio criou e às quais vinha conduzindo até recentemente. Sem dúvida, Lula poderia estar tentando buscar um outro caminho, se, de fato, ele existisse, mas não parece o caso.
Para completar, o próprio ex-presidente começa a ser enredado nas tramas que hoje caracterizam o seu partido e a quase totalidade de suas principais lideranças, a maioria das quais presa ou já condenada pela Justiça por envolvimento em esquemas como o do mensalão ou sob investigação no caso do Petrolão. Lula até agora não conseguiu justificar os volumosos recursos que empreiteiras que servem ao governo têm feito ao Instituto que fundou ao deixar a Presidência, situação que só tem turbinado as denúncias de que é um lobbista internacional e vem praticando tráfico de influência no atual governo. Realmente, difícil começar uma campanha com tantas adversidades.
* Artigo publicado originalmente na Tribuna da Bahia
Raul Monteiro*

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